quinta-feira, 30 de agosto de 2007

A história de Rick Hoyt e Dick Hoyt






Rick Hoyt nasceu em 1962, com quadriplegia espática, como uma pessoa que não consegue falar. O cordão umbilical se prendeu ao seu pescoso durante o nascimento cortando todo oxigênio para seu cérebro. Os médicos disseram que não haveriam esperanças para o desenvolvimento de Rick. "Tem sido uma história de exclusão desde o início," Dick, o pai, conta. "Quando ele tinha 8 meses de idade os médicos disseram para deixá-lo em alguma instituição — ele seria um vegetal a vida toda, esse tipo de coisa. Bem, esses médicos não estão vivos mais, mas eu gostaria que eles pudessem ver o Rick agora."Eles não seguiram os conselhos dos médicos e trouxeram Rick para casa, para ser criado normalmente. Ele demostrava ser tão inteligente quanto seus outros dois irmãos. Ao tentar entrar para escola, recusaram dizendo que ele não poderia aprender porque não era capaz de se comunicar. Mas isso não era verdade pois ao contar uma piada a Rick, ele demostrava a mesma capacidade de rir. Seus pais ensinaram o alfabeto. Rick foi levado ao instinto de Engenharia da Universidade de Tuffs, onde os pesquisadores construíram um dispositivo para Rick se comunicar que funcionava através dos movimentos que Rick conseguia realizar com a cabeça. A primeira frase que Rick escreveu foi "Go Bruins!". Bruins um time local de hockey que estava nas finais do campeonato estadual. Rick estava acompanhando o campeonato assim como todos. "Então descobrimos que Rick adorava esportes". Em 1975, Rick foi admitido em uma escola pública onde seria realizada uma corrida beneficiente. Rick disse que sentia vontade de correr. Dick, que era sedentário, empurrou o filho a corrida inteira. "Foi como um triunfo para nós dois. Eu fiquei sentindo dores por semanas, não estava acostumado". Mas a vida de Dick mudou quando seu filho escreveu: "Pai, enquanto estamos correndo não me sinto mais deficiente".
Dick começou a treinar muito para tentar entrar na Maratona de Boston de 1979. Não foram aceitos porque a idéia soava absurda para os organizadores. Foi quando conseguiram correr uma maratona menor. Correram tão rápido, com um tempo excelente, que tiveram que ser aceito pelos organizadores da Maratona de Boston. Foi sugerido um Triathlon. Mas Dick nunca nadou durante toda sua vida. A última vez que andara de bicicleta foi aos 6 anos. Como iria nadar puxando um homem e pedalar com alguém na bicicleta? Mesmo assim, ele tentou. E até hoje, eles fizeram 212 Triathlons. Inclusive o Ironman no Hawaii, uma prova de superação dos limites humanos com 15 horas de duração, 26.2 milhas correndo, 2.4 milhas nadando e 112 milhas pedalando, tudo num só dia. Juntos já escalaram montanhas. Juntos já fizeram trekking por mais de 3,735 milhas, percorrendo a America durante 45 dias consecutivos. Cerca de 64 maratonas, 20 duathlons e mais uma centena de corridas totalizando quase 1000 eventos.Dick tinha 65 anos e o filho 43 durante o último evento que participaram, a 24th Maratona de Boston, onde terminaram em 5.083 lugar. Sendo que, a corrida teve 20.000 participantes ou iniciantes(starters). Fizeram em 2 horas e 40 minutos, 35 minutos a mais que o homem que possui o recorde mundial, que certamente não teve que correr empurrando outro homem em uma cadeira de rodas. Certa vez, Dick sofreu um ataque cardíaco durante uma corrida. Os médicos disseram que uma das suas artérias estava tão danificada que ele teria que estar morto a 20 anos atrás. Mas graças a forma física excepcional adquirida, o problema não era maior. Dick conta chorando: "Rick e eu competindo juntos realmente me ajudou. Eu me sinto na melhor forma física da minha vida. Eu tenho 65 anos e sinto que tenho um corpo de uma pessoa de 25 anos e é tudo culpa dele".












Oitenta e cinco vezes Dick Hoyt empurrou seu filho deficiente, Rick, por 42 quilômetros em maratonas. Oitenta vezes ele não só empurrou seu filho os 42 quilômetros em uma cadeira de rodas, mas também o rebocou por 4 quilômetros em um barquinho enquanto nadava e pedalou 180 quilômetros com ele sentado em um banco no guidão da bicicleta -- tudo isso em um mesmo dia.Dick também o levou em corridas de esqui, escalou montanhas com ele às costas e chegou a atravessar os Estados Unidos rebocando-o com uma bicicleta. E o que Rick fez por seu pai? Não muito -- exceto salvar sua vida.Esta história de amor começou em Winchester, nos EUA, há 43 anos quando Rick foi estrangulado pelo cordão umbilical durante o parto, ficando com uma lesão cerebral e incapacitado de controlar os membros do corpo.-- Ele irá vegetar pelo resto da vida -- disse o médico para Dick e sua esposa Judy quando Rick tinha nove meses. -- Vocês devem interná-lo em uma instituição.Mas o casal não acreditou. Eles repararam como os olhos de Rick seguiam os dois pelo quarto. Quando Rick fez 11 anos eles o levaram ao departamento de engenharia da Tufts University e perguntaram se havia algum jeito do garoto se comunicar.-- Jeito nenhum -- disseram a Dick -- Seu cérebro não tem atividade alguma.-- Conte uma piada para ele -- Dick desafiou. Eles contaram e Rick riu. Na verdade tinha muita coisa acontecendo no cérebro de Rick.Usando um computador adaptado para ele poder controlar o cursor tocando com a cabeça um botão no encosto de sua cadeira, Rick finalmente foi capaz de se comunicar. Primeiras palavras? "Go Bruins!", o grito da torcida dos times da Universidade da Califórnia. Depois que um estudante ficou paralítico em um acidente e a escola decidiu organizar uma corrida para levantar fundos para ele, Rick digitou: "Papai, quero participar".Isso mesmo. Como poderia Dick, que se considerava a si mesmo um "leitão", que nunca tinha corrido mais que um quilômetro de cada vez, empurrar seu filho por 8 quilômetros? Mesmo assim ele tentou.
-- Daquela vez eu fui o inválido -- lembra Dick -- Fiquei com dores durante duas semanas.Aquilo mudou a vida de Rick. Ele digitou em seu computador:-- Papai, quando você corria eu me sentia como se não fosse mais portador de deficiências.O que Rick disse mudou a vida de Dick. Ele ficou obcecado por dar a Rick essa sensação quantas vezes pudesse. Começou a se dedicar tanto para entrar em forma que ele e Rick estavam prontos para tentar a Maratona de Boston em 1979.-- Impossível! -- disse um dos organizadores da corrida.Pai e filho não eram um só corredor e também não se enquadravam na categoria dos corredores em cadeira de rodas. Durante alguns anos Dick e Rick simplesmente entraram na multidão e correram de qualquer jeito. Finalmente encontraram uma forma de entrar oficialmente na corrida: Em 1983 eles correram tanto em outra maratona que seu tempo permitia qualificá-los para participar da maratona de Boston no ano seguinte.Depois alguém sugeriu que tentassem um Triatlon. Como poderia alguém que nunca soube nadar e não andava de bicicleta desde os seis anos de idade rebocar seu filho de 50 quilos em um triatlon? Mesmo assim Dick tentou.Hoje ele já participou de 212 triatlons, inclusive quatro cansativos Ironmans de 15 horas no Havaí. Deve ser demais alguém nos seus 25 anos de idade ser ultrapassado por um velho rebocando um adulto em um barquinho, você não acha? Então por que Dick não competia sozinho?-- De jeito nenhum -- ele diz. Dick faz isso apenas pela sensação que Rick pode ter e demonstrar com seu grande sorriso enquanto correm, nadam e pedalam juntos.Este ano, aos 65 e 43 anos de idade respectivamente, Dick e Rick completaram a 24a. Maratona de Boston na posição 5.083 entre mais de 20 mil participantes. Seu melhor tempo? Duas horas e 40 minutos em 1992, apenas 35 minutos mais que o recorde mundial que, caso você não saiba, foi batido por um homem que não empurrava ninguém numa cadeira de rodas enquanto corria.















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Um comentário:

Andreia Zavariz disse...

uma incrível história de superação. Serve de exemplo pra nós, isso que é exemplo de vida! adorei André.